A CRIAÇÃO DIVINA – ORIGEM DAS COISAS
TextosPor Christiano Torchi
“Penetrará o homem um dia o mistério das coisas que lhe estão ocultas? R - O véu se levanta a seus olhos, à medida que ele se depura; mas, para compreender certas coisas, são-lhe precisas faculdades que ainda não possui.” (LE, 18)
As investigações científicas do macro e do microcosmo cada vez mais surpreendem o homem, deixando-o perplexo ante o poder e a sabedoria do Criador. Entretanto, o homem - fraco e orgulhoso - torna-se presa de sua própria imperfeição e joguete de suas ilusões. Por isso, como bem asseverou Kardec, em O Livro dos Espíritos:
“Ele amontoa sistemas sobre sistemas e cada dia que passa lhe mostra quantos erros tomou por verdades e quantas verdades rejeitou como erros. São outras tantas decepções para o seu orgulho.” (Destacamos).
Alguns estudiosos, adeptos de teorias reducionistas ou materialistas, defendem a tese de que o Universo surgiu por acaso, como se ele tivesse criado a si mesmo. Entretanto, muitos desses cientistas, observando o comportamento da matéria nas subpartículas do átomo, estão se rendendo à realidade dos fatos: existe uma inteligência oculta por trás de muitos desses fenômenos.
Tudo o que existe é obra de Deus: todo o Universo, com os seus mundos; todos os seres animados e inanimados (OP, Feb, p. 35-39). Neste contexto estão incluídos os segredos da criação do espírito e da matéria.
A infinitude do espaço universal e de tantas outras coisas que nos cercam confundem a nossa pobre razão (GE, VI:1-2). Nem mesmo aquilo que pensamos ser o vácuo está vazio, pois tal espaço contém matéria em estado fluídico que escapa aos sentidos humanos e aos mais potentes instrumentos de investigação.
Infinito é o que não tem começo nem fim - dizem os Espíritos -, é o desconhecido. Já o tempo é apenas uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias, criada pelo próprio homem, enquanto a eternidade (aquilo que não teve começo nem terá fim) não é suscetível de medida alguma, pois tudo lhe é presente, um presente contínuo, estável, como é a própria Divindade (GE, VI:1-2).
Em realidade, ainda temos muito que aprender, muito o que evoluir. Somos cegos dirigindo cegos (Lucas 6:39) e nada nos resta senão exclamar, humildes, fazendo coro com o sábio filósofo Sócrates: “Tudo que sei é que nada sei”. Como afirmam os Espíritos, o véu se levanta aos olhos do homem, à medida que ele se depura; mas para compreender certas coisas, são-lhe precisas faculdades que ainda não possui (LE, 18).
Numa demonstração de bondade e misericórdia, o Criador, sem afrontar o livre-arbítrio de suas criaturas, supre-lhes as deficiências e as fraquezas, por meio das revelações (ver capítulo 3 e itens 3.1, 5.2 e 5.3.4), acerca do que lhes escapa ao testemunho dos sentidos.
As comunicações espírituais (item 7.3 e ss.) oferecem ao homem, dentro de certos limites, o conhecimento de muitas coisas, inclusive de seu passado e do seu futuro. Esse acréscimo da misericórdia divina, entretanto, não acontece gratuitamente. O homem deve fazer jus, por meio de seu esforço pessoal, para merecê-lo, para conquistá-lo, no decorrer do tempo, de forma lenta e gradual, à medida que trabalha, estuda e amadurece em experiência (A cada um segundo suas obras: LE, 123).
Em suma, os Espíritos superiores não vieram livrar o homem do trabalho, do estudo e das pesquisas; não lhe trazem nenhuma ciência integralmente formulada; deixam-no entregue a seus próprios esforços, naquilo que ele pode encontrar por si mesmo. Não basta dirigir-se ao primeiro Espírito comunicante para conhecer todas as coisas. Tal como ocorre entre os homens, os mais adiantados nos podem ensinar acerca de maior número de assuntos, podem dar-nos conselhos judiciosos ou atrasados. Pedir conselhos aos Espíritos não é dirigir-se a potências sobrenaturais, mas sim a seus iguais, àquelas mesmas pessoas a quem nos teríamos dirigido em vida; a seus pais, a seus amigos, ou a indivíduos mais esclarecidos que nós (GE, I:60-61).
De tudo que se viu do ensino dos Espíritos superiores, não é dado ao homem conhecer, por enquanto, o princípio das coisas (LE, 17 a 20). Somente à medida que se depura, ele penetra o mistério das coisas que lhe estão ocultas, aqui incluída a questão do contacto com os extraterrestres (item 7.6).
anderson em março 9th, 2009 | Categoria: Textos | Sem Comentários -