“A arte deve ser o belo criando o Bom”
(André Luiz - Conduta Espírita)

Não se assustem os fãs incondicionais do querido e ilustre cidadão de Nosso Lar, mas a sua frase inicia as nossas reflexões justamente para ser questionada.
Perdoem a “heresia”, mas o IX FECEF está a caminho e precisamos colocar lenha na fogueira e aquecer as caldeiras do pensamento para que se movimentem as idéias, percorrendo novos caminhos.
Quando André Luiz diz que a arte deve ser o Belo Criando o Bom (notem os “B” maiúsculos!), obviamente refere-se à verdadeira arte.
Ora, todos sabemos que estamos bem distantes ainda da Beleza, pois nossas almas, em desarmonia com as Leis Divinas, apresentam manchas e ruídos, em tons dominantes de orgulho e egoísmo, desafinadas mesmo.
Admitindo-se esta realidade parece-me que estaríamos automaticamente excluídos do processo, uma vez que, não sendo ainda Belos por dentro, faltaría-nos a primeira condição para considerarmos as nossas produções como obras da verdadeira arte, segundo a definição de André.
No entanto…
É hora de rever nossos pontos de vista.
O Tema deste FECEF, CULTURA DO ESPÍRITO, promete ser muito mais revolucionário do que parece.
Depois de três encontros discutindo predominantemente os aspectos, estéticos, formais e concretos da arte espírita, nossa proposta passa a ser um mergulho profundo no imponderável, no ser essencial, seus anseios, conflitos e necessidades reais.
A arte sai do campo do espetáculo, do show, da mera apresentação para o outro - e passa a ser manifestação da alma, contextualizada num processo de auto conhecimento e despertar do ser eterno, instrumento de liberação e libertação deste ser para o encontro do seu verdadeiro destino, na compreensão de si mesmo.
Sob este novo prisma está o Espírito, encarado em toda a sua complexidade, com sua bagagem milenar, sua história pessoal riquíssima, desde a concepção divina, simples e ignorante, passando pelos três reinos e ora começando a compreender sua verdadeira essência. Este Espírito que, embora imperfeito, é, por sua própria natureza, Belo!
Belo como toda criatura, obra Divina, princípio inteligente do universo, arquiteto do seu destino, ser perfectível à caminho do único determinismo imposto a ele pelo Pai Criador: a Felicidade.
Sim, há Beleza no Espírito em desenvolvimento - muito mais do que ele mesmo possa supor e compreender agora.
Este ser pensa e sente; e pensando e sentindo, vibra, cria formas mentais, emite sons, luzes e cores, compondo, como numa obra de arte, a sua psicosfera pessoal e coletiva.
Impressiona, molda e movimenta o Fluido Cósmico Universal, imprimindo-lhe qualidades a partir do seu próprio perispírito.
Traz em si milhões de enredos, dramas, tragédias, personalidades assumidas, personagens construídas numa peça de atos incontáveis, na ribalta onde as luzes jamais se apagam.
Sua trajetória é o mais belo e emocionante dos poemas, odisséia sem fim.
Pela arte pode ser tocado, sensibilizado, alçado a planos superiores do pensamento.
Consciente, pode colocar a sua vontade em sintonia com o Bem, criando o Bom.
O Belo criando o Bom… voltamos ao ponto de partida.
Pensando bem, nosso amigo André Luiz tem toda a razão!
Ou não???

César Tucci, 39

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