Allan Kardec
Hippolyte Léon Denizard Rivail, nasceu em Lion ( França ) em 3 de Outubro de 1804, filho de Jean-Baptiste Antoine Rivail e Jeanne Louise Duhamel.
Estudou no Instituto de Educação Pestalozzi na Suíça, Rivail cativou então a simpatia e admiração do velho professor Pestalozzi, tornando-se colaborador deste. Aos 14 anos, Rivail ensinava o que ia aprendendo aos alunos menos adiantados nos seus momentos de descanso.
Movido pelos ensinamentos de seu velho professor, em 1824 publicava seu primeiro livro: “Cours Pratique et Théorique D’Arithmétique D’Après la Méthode de Pestalozzi, Avec des Modifications”. O livro era recomendado aos educadores e mães de família, que desejassem dar aos seus filhos as primeiras noções de aritmética.
Allan Kardec
Dispensado do serviço militar, Rivail deixou a Suiça e rumou para Paris. Fundou o Instituto Rivail, instituto técnico localizado à Rua de Sèvres, 35, que obedecia aos moldes do Instituto Pestalozzi. Com o amparo de sua esposa, Professora Amélia Boudet dedicou-se ao Instituto até 1835. Em 1828 publicou “Plan Proposé Pour L’Amélioration de L’Éducation Publique”, em que propunha a criação de escolas teóricas e práticas de Pedagogia, procurando dar qualidade ao ensino às crianças. Rivail foi premiado pela Academia Real de Arrás por sua tese “Quel Est Le Systeme D’Études Le Plus En Harmonie Avec Les Besoins de L’Époque?”, em 1831. Ainda neste ano publicou “Grammaire Française Classique Sur Un Nouveau Plan”. Rivail dominava então as línguas latinas, gregas, gaulesas e neo-romanas. Em 1835 Rivail, diante das enormes dificuldades financeiras que passava foi obrigado a fechar seu Instituto e confiou suas economias a um amigo negociante, que acabou falindo, deixando o professor Rivail completamente sem dinheiro.Rivail empregou-se então como contabilista de casas comerciais, dedicando-se durante as noites à organização de novos trabalhos pedagógicos, à tradução de obras do inglês e do alemão e à preparação de todos os cursos de Lévi-Alvarès no Faubourg São Germano. Ministrou em sua própria residência, de 1835 a 1840 cursos gratuitos de química, física, astronomia, fisiologia e anatomia comparada. Fundou e dirigiu o Liceu Polimático em Paris.
Dedicando-se aos métodos de ensino publicou em 1846 o “Manual des Examens Pour les Brevets de Capacité”, em 1848 “Catéchisme Grammatical de La Langue Française”, em 1849 o “Programme des Cours Usuels de Physique, de Chimie, D’Astronomie et de Physiologie” e também “Dictées Normales des Examens de L’Hôtel-de-Ville et de La Sorbonne” e “Dictées Spéciales Sur Les Difficultés Orthographiques”.
Na verdade Rivail publicou inúmeros livros didáticos, entre os quais citamos: “La France Littéraire”, “La Littérature Française Contemporaine”, “Les Supercheries Littéraires Dévoilées”, “Catalogue Général des Livres Imprimés de la Bibliothèque Nationale”, Curso Prático e Teórico de Aritmética Segundo o Método Pestalozzi”, “Curso Completo Teórico e Prático de Aritmética”, “Escola de Primeiro Grau”, “Plano Proposto para a Melhoria da Educação Pública”, Gramática Francesa Clássica”, “Memória sobre a Instrução Pública”, “Programa dos Estudos Segundo o Plano de Instrução de H.-L.-D. Rivail”, Manual dos Exames para os Títulos de Capacidade”, “Momento Aritmético dos Exames”, “Tratado Completo de Aritmética”, “Catecismo Gramatical da Língua Francesa”, “Ditados Normais dos Exames”, “Ditados da Primeira e da Segunda Idade”, Gramática Normal dos Exames”, Curso de Cálculo Mental”, “Programa dos Cursos Usuais de Física, Química, Astronomia e Fisiologia”, etc.
Recebeu diversos diplomas durante sua carreira de professor e diretor de colégio: “Fundador da Sociedade de Previdência dos Diretores de Instituições e Pensões de Paris”, “Instrução Elementar”, “Instituto de Línguas”, “Sociedade de Ciências Naturais da França”, “Sociedade de Educação Nacional”, “Sociedade Gramatical”, “Sociedade Real de Emulação, de Agricultura, Ciências, Letras e Artes do Departamento do Ain”, “Instituto Histórico”, “Sociedade Francesa de Estatística Universal”, “Sociedade Promotora da Indústria Nacional”, “Academia Real de Arrás” e “Academia da Indústria”.
Entre outras matérias lecionou Química, Matemática, Astronomia, Física, Fisiologia, Retórica, Anatomia Comparada e Francês. E conhecia profundamente também o Alemão, Inglês, Holandês, Latim, Grego, etc.
Iniciaram-se então as reuniões sobre as “mesas girantes” e Rivail, conhecedor profundo do magnetismo procurou se aprofundar nas pesquisas sobre este assunto, chegando a comentar ao Sr. Fortier, pessoa de relacionamento de Rivail: “Só acreditarei quando o vir e quando me provarem que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir e que possa tornar-se sonâmbula. Até lá, permita que eu não veja no caso mais do que um conto da carochinha”. O Professor Rivail passou então a perceber que algo de momentoso se passava, “Eu entrevia - considerava ele - naquelas aparentes futilidades, no passatempo que faziam daqueles fenômenos, qualquer coisa de sério, como que a revelação de uma nova lei, que tomei a mim estudar a fundo”. Observando, comparando e julgando fatos, sempre com cuidado e perseverança, concluiu que realmente eram Espíritos daqueles que morreram a causa dos efeitos inteligentes e deduziu que as leis que regem esses fenômenos, extraindo admiráveis conseqüências filosóficas e toda uma doutrina de esperança e consolações.
Freqüentou inúmeras reuniões, onde se obtinham comunicações que deixavam fora de toda a dúvida a intervenção de entidades estranhas aos presentes, Rivail começou então a levar para as sessões perguntas sobre problemas diversos, às quais os Espíritos respondiam com precisão, profundeza e lógica. Em 30 de Abril de 1856, na casa do Sr. Roustan, a médium Japhet, utilizando o método da “cesta” transmitiu a Rivail a primeira revelação positiva da missão que teria que desempenhar. Humilde, sem compreender a razão de sua escolha para tão nobre missão, Rivail pareceu duvidar. Mas o Espírito de Verdade lhe respondeu: “Confirmo o que foi dito, mas recomendo-te discrição, se quiseres sair-te bem. Tomarás mais tarde conhecimento de coisas que te explicarão o que ora te surpreende. Não esqueças que podes triunfar, como podes falir. Neste último caso, outro te substituiria, porque os desígnios de Deus não se assentam na cabeça de um homem”. Hippolyte Rivail prosseguiu com devotamento exemplar seus estudos acerca da comunhão entre os mundos dos encarnados e desencarnados. Em conjunto com Carlotti, René Taillandier, Tiedeman-Manthèse, Léandre Sardou, Victorien Sardou e Didier, reuniu 50 cadernos de comunicações diversas, mas eles não conseguiam colocar as informações em ordem. Com o auxílio de mais de uma dezena de médiuns, ele desenvolvia, completava e remodelava seu trabalho, iniciando a organização das informações, compilando e separando por assuntos as comunicações. Em 18 de Abril de 1857, foi finalizado nas oficinas da Livraria E. Dentu, o “Livro dos Espíritos”, com 176 páginas, com 501 perguntas e respostas, dividindo-se o trabalho em três partes: “Doutrina Espírita”, “Leis Morais” e “Esperanças e Consolações”.
Pelo fato de ter seu nome muito conhecido no mundo científico adotou o nome de Allan Kardec, nome que, segundo lhe revelara o guia, ele tivera ao tempo dos Druídas. A obra alcançou pleno êxito por seu caráter lógico e racional, sendo que prendeu a atenção de homens sérios e a doutrina tomou rápido desenvolvimento. Após esta obra seguiram-se: Em 1858 “Instrução Prática sobre as Manifestações Espíritas”, em 1859 “O que é Espiritismo”, em 1860 “Carta sobre o Espiritismo”, em 1861 o Guia dos Médiuns e dos Evocadores, que levou o título de “O Livro dos Médiuns”, em 1862 “O Espiritismo na sua Expressão mais Simples”, “Viagem Espírita” e “Resposta à Mensagem dos Espíritos Lioneses por Ocasião do Ano Novo”, em 1864 “Resumo da Lei dos Fenômenos Espíritas” e “Imitação do Evangelho Segundo o Espiritismo”, esta última à partir da segunda edição passou a ter o título de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, em 1865 “Coleção de Composições Inéditas” e “O Céu e o Inferno”, em 1866 “Coleção de Preces Espíritas”, em 1867 “Estudo Acerca da Poesia Medianímica”, em 1868 “Caracteres da Revelação Espírita” e “A Gênese”, em 1890 “Obras Póstumas”. Além de todas estas obras lançou também em 1858 a “Revista Espírita”, desde Janeiro de 1977 a revista Espírita mudou seu nome para “Renaìtre 2000″. Em 1o. de Abril de 1858, Kardec fundou a “Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas”.
Em 9 de outubro de 1861 foram queimados 300 livros espíritas enviados por Kardec com destino a Barcelona, por ordem do Bispo da cidade, que, em nome da Igreja Católica, repudiava o conteúdo dos livros, considerando-os contrários aos ensinamentos católicos. Aos 64 anos de idade, Kardec preocupava-se com um projeto de organização do Espiritismo, desde 1860 realizava conferências na França e Bélgica e em 31 de março de 1869 foi fulminado pela ruptura de um aneurisma. Foi então enterrado no Cemitério de Montmartre, onde à beira de seu túmulo, Camille Flammarion discursou sobre o papel de Kardec no pensamento científico e filosófico mundial. Seus despojos foram transferidos para o Cemitério do Père-Lanchaise, onde se encontram até hoje. À semelhança de todos os gloriosos reformadores, Allan Kardec brilhará, através dos tempos, como um fulgurante sol na aurora do Espiritismo.
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Uma Resposta to “Allan Kardec”
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março 10th, 2009 at 9:31 pm
Foi um mestre. Por isso Deus usou de um educador para a decodificação.