Melhores Amigos – Cap III Zahir – O sal da terra

Textos
MELHORES AMIGOS
Cap. III – ZAHIR – O SAL DA TERRA
!cid_BB61499A-5C5C-4B0F-9788-7BB4DDBBB44B
Zahir adorava sair de casa todos os dias para perambular pelos mercados da Cesaréia, observar a movimentação da turba entusiasmada, os negociantes ofertando suas mercadorias, a logística organizada pelo entra e sai de sacolas, malotes e caixarias, que continham tudo aquilo que um homem pode cobiçar para realização de seus desejos e fantasias.
Sabores e aromas diversificados, vestimentas, sedas, jóias, bebidas, especiarias…
Mas o que Zahir mais gostava era mesmo conhecer as histórias dos personagens locais, saber da vida, conhecer fatos, para poder sair contando tudo depois sobre o que ouvia. E o que era pior, muitas vezes aumentando o grau da lente de sua visão amoral para valorizar as emoções do audiente para com suas vãs filosofias .
Sentia-se orgulhoso ao transmitir informações que julgava relevantes, revelar estratégias entre os mercadores concorrentes, provocar intrigas  que acabavam em confusões irascíveis e ignorantes. Rompendo laços entre famílias que mantinham laços afetuosos de longa data.
O tratante nunca sentira-se responsável por tudo aquilo e convencia-se cada vez mais ser um paladino da verdade consonante. 
E se acusado por  sua língua ferina e malvada, defendia-se veemente, ora dizendo-se vítima, ora inocente.
Corrupto que por qualquer quantia dispunha-se a espionar e descobrir situações ou mesmo inventá-las para aviltar um inimigo conforme a conveniência de seu contratante.
Assim conseguia que amigos passassem a se detestar, esposas e esposos injuriava com calúnias até conseguir separar, patrões passaram de seus empregados a desconfiar, e empregados antes dedicados começaram a sentirem-se injustiçados e explorados, muitos desmotivados para continuar a  trabalhar, comerciantes antes justos e honestos viram-se em condições tão péssimas que decidiram que era melhor trapacear, até os índices de preços inflacionaram e tudo estava tão abalado com as notícias negativas que o caos e a crise não tardara a se instalar.
Zahir considerando-se o principal interlocutor da desordem só via nisto oportunidade e motivo para se assoberbar.
No poço da discórdia podia saber que seu nome estava lá, mas ninguém se dava conta disso, trabalhavam tanto, tentavam reverter a desgraceira e a má sorte, que mais fácil era atribuir aquela terrível situação aos castigos divinos, a ação de entidades malévolas e aos azares de toda ordem.
Em pouco tempo muitos daqueles negócios tiveram que se encerrar .
Ria o patife dos pobres falidos, noticiando-lhes os revéses com tom jocoso e atrevido, acusando-lhes as incompetências, o que fizera com que muitos não suportassem a vergonha, intentando a própria morte. 
Aproveitava-se do desespero e das extremas necessidades,  comprando esses negócios a preço de banana. Com isso tornava-se um homem materialmente rico, mas cada vez mais pobre de espírito e frio de coração.
Continuava a instaurar a mentira e a fraude sempre pensando em levar vantagens e criar somente para sí boas oportunidades.
Soubera pela boca de alguns mercadores que um homem de nome Khaléo buscava um bom ponto comercial para vender suas especiarias e Zahir sabendo disso saiu em busca do tal para oferecer um de seus imóveis em locação.
Encontrando-o não demorou a fazer pose de cidadão emérito de boa categoria.
Agradou Khaléo, dispondo-se a alugar uma de suas melhores lojas por bom preço e ainda divulgar por toda a Cesaréia a qualidade de suas mercadorias.
O velho comerciante era um empresário e sobretudo um homem impoluto e experiente, que sabia de longe reconhecer um embusteiro inconsequente. Aquele tipo de bom papo que esforçava-se o máximo para parecer extremamente bondoso e com excesso de simpatia, que escondia um caráter frívolo e de vilania, capaz de prejudicar a quem quer que fosse em beneficio próprio, prejudicando se fosse preciso até a própria família.
Para Khaléo as más intenções por trás daquela máscara eram tão claras , e tão falsa era aquela alegria, que era como se enxergasse em sua frente uma víbora dançando para encantar a presa e pronta para o bote em  inescrupulosa perfidia.
Deixou por horas Zahir expor suas argumentações pobres, demonstrando da vida quase nenhuma sabedoria. Como a maioria das pessoas que precisam convencer não só as outras pessoas de um conteúdo que não possui, mas como se quisesse acreditar em sí mesmo. Variadas e múltiplas vezes, indo e vindo a argumentação se repetia.
Estranhava porém o libertino pois que não encontrava guarida naquela “vítima” que lhe parecera num primeiro momento muito fácil, por se tratar de uma pessoa de idade avançada, e acreditando de poucos conhecimentos levando-se em conta de onde vinha.
O idoso calado, deixou o rapaz falar e falar, apenas ouvia, nem mesmo um traço em suas expressões, nem um músculo sequer se movia, não demonstrava o descontentamento mas também não lhe sorria.
Fixando os olhos no leviano parecia que daquela alma doente o velhinho era capaz de fazer  uma radiografia , e aos poucos o rapaz começou a sentir-se flagrado em seus interesses mundanos e a sua idiotia. Sentia como se sua alma vomitasse os seus interesses hostis e sujos para quem desejasse ver, despindo moralmente sua existência vazia. E mesmo tentando encontrar as palavras certas cada vez mais no diálogo se perdia, sentindo horríveis caláfrios e uma queimação no peito em forma de azia.
De repente seus olhos prorromperam em lágrimas e a garganta travada não mais lhe obedecia, era um misto de raiva e desespero, pensava em sair correndo, mas o orgulho ainda o vencia.
Khaléo tentando disfarçar não perceber as emoções em que o rapaz se debatia, saiu para calmamente selecionar as suas especiarias.
Pimentas, ervas de muitas espécies, condimentos variados, algumas cheiravam muito bem e outras fediam. Algumas doces e de bom gosto, outras que ardiam, e muito sal puro, substância incólume que a nada se corrompia. Eram muitas cores, cheiros e sabores que propagavam-se no ambiente caracterizando o ar espetacularmente.
Zahir sentindo-se mais aliviado em seu achaque nervoso, curioso em conhecer todas aquelas substâncias passou logo a especular sobre elas, para que se destinavam  e como lhes fazer gozo.
Calmamente o velho começou a explicar, aproveitando o desvio do assunto para finalmente tentar mostrar ao rapaz o quanto ele estava errado em tentar enganar seu próximo quando na verdade vinha enganando a sí mesmo.
Primeiro mostrou-lhe as pimentas e suas variações de picância.
- São lindas e muito atrativas, coloridas, chamativas, mas muitas delas basta que as toquemos para provocarem grande desconforto e urticâncias. inclusive podendo provocar a morte se consumidas sem parcimônia, só mesmo conhecendo cada uma se poderá extrair o melhor de suas propriedades e de seu interior, tornando-as benéficas e agradável de sabor.
Passou as demais ervas e deu continuidade a conversa .
- Temos aqui tempeiros, mas também remédios e até venenos letais, um mal conhecedor jamais pode utilizá-las pois pode causar sérios problemas, caso não as estude ou não consulte seus anais. As comparo com as palavras que tanto podem ser bálsamo curador ou causadoras de grande dor  e prejuízos, quando mal direcionadas, ou em ferino tom, uma mesma palavra pode destruir o que muito tempo levou para se construir de bom, mas se bem assertivas e intencionadas a mesma palavra pode consolar, alegrar e regenerar corações aflitos.
E diante de um saco de cristais intensamente brancos, Khaléo apanhou um punhado, passando de uma mão para outra mostrava-se ainda muito admirado.
 - E aqui aquele que não se deixa perverter, jamais deixa-se mostrar como verdadeiramente é, pois quem já ouviu falar do sal que se torna ínsipido na tentativa de se disfarçar? Não, o sal sempre será um sal em qualquer estado que se apresentar, sólido, líquido ou gasoso, manterá sua força e capacidade de conservar e preservar. Desse símbolo de conservação se utilizou o Maior de todos os Mestres ao dizer :
- Vois sois o sal da Terra…(Mateus 5).
Criados para sermos ativos em nossa marcha evolutiva, nunca insonsos e sem valor. Mostrarmos nossas melhores qualidades depende apenas da quantidade de esforços que fizermos em favor das nossas próprias edificações. Ainda que disfarcemos nosso caráter com os mais variados “condimentos”, mas somente o “sal moral” é que revelará de fato quem somos, pois a consciência do bem, é o sal que dará o gosto as nossas palavras, pensamentos e atitudes.Heis o sal da terra exemplificado por Jesus.
Dizendo essas palavras o ancião andou mais um pouco e abriu outra caixa, da qual imaginou Zahir que o velho tiraria mais alguma importante especiaria de sua coleção, mas dalí tirou um enorme livro, meio puído e amarelado e colocou em suas mãos.
 E aqui está a receita , o condimento certo para uma vida maviosa, que ensina a fazer um homem digno e de bem.
Este livro que parece tão velho contém ensinamentos deste  Grande Amigo, um homem que conhecia todos os segredos de paz interior e do incondicional amor e deles fez bom uso, acrescentando a quantidade exata do sal perfeito e benéfico  na vida dos homens que seguiram o seu evangelho.
Zahir um tanto macambúzio em torno de suas próprias reflexões aceitou o presente e saiu da loja disposto a mudar o comportamento e transformar suas intenções.
Dias depois voltou ao mercado para agradecer o amigo por ter lhe aberto os olhos a tempo de arrrepender-se, compreender os próprios erros e tentar corrigir as imperfeições.
Os dois tornaram-se grandes amigos e Zahir até a última hora ajudou Khaléo em obras em favor dos necessitados, sentindo-se um pouco melhor em poder auxiliar um irmão, lembrando a quem muito prejudicou em outrora.
(Respeite o conteúdo e a autoria – Paty Bolonha – 2013)
Joel em agosto 16th, 2013 | Categoria: Textos | Sem Comentários -

Textos
Josafa
MELHORES AMIGOS
Cap. II – JOSAFÁ – O PODEROSO
Na Galiléia por volta de 20 d.C, nasceu um menino batizado por : Josafá.
Primogênito de uma família abastada e poderosa, trouxe por destino a missão de dar continuidade ao nome e a riqueza de toda a sua geração.
Influência, fortuna e escravos explorados á exaustão eram a sua herança.
Coberto de cuidados em berço dourado, era cultuado como um pequeno Deus aquela linda criança.
Unico filho varão, o patriarca depositara nele todo seu orgulho e suas esperanças.
O menino tinha uma infância feliz, arrodeado de mimos e amas servis.
Mas em certo momento, quando completara mais ou menos uma década fora acometido por grave enfermidade, padecendo em impressionantes convulsões e constantes ataques febris.
Suava frio, tinha dores horríveis e fortes sangramentos pelo nariz.
A família entrou em colapso diante da possibilidade de perdê-lo, pois tudo piorava com o passar do tempo.
O pai via a vida de seu filho esvaindo-se qual areia fina que escapa pelos dedos, e assim entrava em profundo aturdimento.
Oferece uma signficativa recompensa aquele que pudesse diagnosticar e curar aquela maldita doença.
Por toda a localidade se espalha a notícia, e de muitos conhecedores das ciências medicinais chama a atenção.
Dentre os que se apresentam vieram médicos, curandeiros, sacerdotes oficiais, mas também curiosos e charlatães.
Alguns com propostas de cura, outros apenas movidos  pela curiosidade ou ambição.
Foram aplicados beberagens, unguentos e bálsamos, mas nenhum conseguira a definitiva solução.
Nada obtivera êxito até o momento, e dia após dia o menino definhava sem reestabelecimento, aumentando para os familiares a cota de sofrimento.
Em uma dessas visitas, um amigo aventa uma questão, fala que ouvira falar sobre um homem que vinha operando feitos maravilhosos aos doentes daquela região.
Não se sabia ao certo quem era, se um mago dado as práticas da prestidigitação ou se um sábio, mas aquela fama já corria a entrelábios.
Entre os de maior poder poucos sabiam, e os poucos que haviam ouvido falar menosprezavam a hipótese ou buscavam desmerecer, para não sofrerem retaliações ou serem taxados de heresia.
Sem outra alternativa o pai resolve arriscar, e mesmo desafiando a opinião de seus asseclas, manda o seu escravo ir atrás e trazer a qualquer custo o tal asceta.
O escravo se informa e descobre que Jesus está próximo aquele território e não demorou a encontrá-lo.
Em uma praça das redondezas o povo se reunia, alguns aglomeravam-se como se estivessem em um circo e prestes a assitir um espetáculo de magia, outros por  boa fé em seus feitos milagrosos , e outros como ato de afronta e ousadia.
O escravo se aproxima munido de duas bolsas de moedas de ouro e com respeito dirige-se a Jesus ;
- Senhor, meu dono ordena que venha curar seu filho dos ataques de epilepsia !
Jesus, olha-o compadecido e responde com cortesia :
- Diga ao seu dono que estarei lá em 3 dias .
E sem maiores delongas retorna a sua prédica .
O súdito volta incomodado e temeroso sem saber como dará a resposta ao seu dono arrogante e impetuoso.
Diante daquela refutação, o pai do doente se revolta e enfurecido manda castigar aquele que desafiara sua autoridade, mas depois passa ao estado de perplexidade e reflexão, e envia novamente o escravo para dobrar a oferta, pensando que teria sido negado seu pedido por um problema de negociação.
Tirando conclusões por sí mesmo, e tal como ele estabelece seu preço para tudo, aquele curandeiro seria um esperto que cobrava boa paga pelos seus atos “complacentes”.
E dessa vez o escravo leva quatro bolsas de moedas de ouro para Jesus, e se impressiona ainda mais com a humildade do “profeta” a quem viera buscar.
Ao avistá-lo novamente Jesus sem demora o recepciona e dirige-se a ele com presteza.
Envergonhado o escravo repete a ordem de seu patrão.
- Meu senhor ordena-o com impaciência que compareça sem demora em sua residencia ! Para isso paga-lhe em dobro do que lhe ofertara da outra vez…
E estende as bolsas com o pesado ouro.
Jesus sorri e responde :
- Pois já não vos disse que comparecerei em 3 dias a casa do seu dono ?
O servo com medo implora-o mais uma vez :
- Pobre homem ! Assim como tu também sirvo ao meu Senhor, mas com uma diferença o faço por amor e tu o fazes por temor…Vai e tenha boa fé servo fiel, pois meu Pai não abandona os aflitos e deles será o reino dos céus . Diga ao seu dono que prepare no terceiro dia o melhor banquete, devolva-lhe o dinheiro pois não o preciso .
Novamente o abnegado serviçal retorna ao palacete amedrontado pois sabe que não conseguirá escapar de severa punição por ter tido seu intento frustrado .
Ao transmitir a informação ao patrão, sente calafrios e tremem suas pernas e suas mãos.
Ensandecido o homem empalidece de tanto ódio, explodem seus olhos em vermelhidão. Chama seu capataz mais forte e manda que dê uma surra no escravo e deixe-o vários dias alimentando-se somente de pouca água e pão.
Ao levantar a chibata para açoitar o pobre criado, o feitor é tomado por torpor sem explicação e tomba ao chão como se estivesse fortemente embriagado.
O servo que seria castigado agradece em pensamento ao abrandamento de sua penalização .
O pai do menino entra em estado de descrédito e alienação, e esquecendo as possibilidades de ser atendido pelo tal Jesus, desesperado vê naqueles dias só piora da situação.
Um filho delirando, com o corpinho enregelado quase em morbidez, em febre incessante , o coloca em estado de tristeza extrema e insensatez .
A casa que fora palco de muitas festas, brincadeiras e alegrias, agora parecia uma tumba escura, silenciosa e fria. A morte se anunciava sem demora, e poucos arriscavam a ofertar apoio naquelas penosas e arrastadas horas.
Uma das amas que ouvira o recado trazido  pelo servo, ousa em ir a cozinha e prepara o banquete, imagina ao menos que se não comparecesse como prometera o profeta arguto, serviria aquele alimento ao menos para aliviar a fome dos que estivessem de luto. E preparou a refeição com carinho, em última  homenagem ao seu amado patrãozinho.
No terceiro dia conforme combinado chega na mansão sombria, um homem simples acompanhado de alguns discipulos e pediram pela licença do patriarca familiar. Mas de tão prostrado pelo desgosto, o pai de Josafá, não encontra forças nem para se opor a entrada de Jesus, apesar de odiá-lo por ter desafiado seus imperativos gostos.
Ao cômodo onde encontra-se a criança já quase sem vida adentra a pequena comitiva.
Jesus toma o menino ao colo e sobre ele impõe as mãos, erguendo seu clamor ao Pai Maior em fervorosa oração. Os discipulos o seguem e também todos aqueles que compõem aquela cena em franca comoção. Dirigem seus pensamentos de amor e desejo de recuperação, e não tarda a ser observada na criança alguma reação.
Primeiro Josafá abre os olhos e seu corpinho estremece , absorvendo todas a energias daquela suma prece. O semblante onde antes se via apenas dor fora se aliviando, e a temperatura alta transforma-se em abundante suor, a face  lívida começa a voltar a cor.
O pai que estava incrédulo, e já considerava todo aquele rito um ato de heresia, ao penetrar na câmara e rever o filhinho sorrindo e descansando em paz que há muito não se via,  é tomado por uma imensurável sensação de emoção e alegria. Joga-se de joelhos aos pés do leitoe chora comovido, e sente abraçar-lhe dois bracinhos envolventes.
Extremamente grato aquele que promovera a volta da felicidade e da saúde naquele lar, ordena serviçais que preparem o ágape para a comemoração.
Jesus estão dirige-se a ele e pede com sua habitual lisura :
- Peça que busquem também aquele ouro que me ofereceu em troca de sua cura …
Os discipulos olham-no com estranheza pois jamais viram o mestre cobrar um único ceitil ou pedir qualquer coisa em troca de suas obras.
O grato pai ordena aos escravos  que dobrem mais uma vez a quantia e tragam o pagamento, imaginando que assim poderia voltar a contar com seus favores em qualquer momento.
Quando chegam as bolsas com os valiosos talentos, Jesus exclama :
- Senhor não é a mim que estais devendo pela melhora de seu filho, mas sim a todos esses que o acompanham e servem por tanto tempo.Enquanto estiveras sem condições de fomentar seus proventos, ou de orientar os seus a contento, foram eles que permaneceram ao seu lado, trabalhando e dando-lhe o necessário encorajamento. A mim nada deveis, nem ao meu Pai, a quem sirvo por amor, e isso plenamente me satisfaz.
E conclui Jesus com a mais absoluta razão :
- Mais valiosos que os tesouros da terra são os tesouros do coração…
Assim o pai de Josafá compreende que não fora devidamente reto com seus serviçais até então, e consciente da lição recebida, sente sua alma iluminada e aquecida pelo sentimento da gratidão. Distribuindo entre todos os criados uma merecida quantia, promete-lhes que nunca mais naquele lar haverá desumanidade e agonia.
Convidando todos ao banquete para compartilharem de sua imensa alegria, lembra com arrependimento que deixara um dos seus fiéis servos sem comer há dias, pede que vão buscá-lo, pedindo perdão e anunciando de todos a alforria.
Jesus se despede abençoando aquela família, desejando que realmente vivam agora em paz e harmonia.
Josafá cresceu saudável e herdando do pai a supremacia, torna-se um soberano justo, honesto, e muito amado por todos os seus criados e tutelados .
(Paty Bolonha – Respeite o conteúdo e autoria – 2013)
Joel em abril 30th, 2013 | Categoria: Textos | Sem Comentários -

Capitulo I – João, O soldado

Textos
 
soldadoromano
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cap. I – João, O soldado .
 
Oi, sou João.
Filho de Maria Isabel,
Nascido em meio ao sertão,
Donde o sol abrasa a terra qual fogueira de anunciação.
 
Onde tudo parece miséria,
Onde domina a tristeza,
Que sem ter o que por na mesa,
Lutam pra não perecer,
Qe clamam por esperança, e reza o povo cantando pra chuva aparecer.
 
E em meio a cantoria, heis que surge a mãe : Maria.
Com o menino pela mão.
Entrega ao pároco e diz.
- Já não posso criar mais e lá em casa tem mais seis .
Mas esses já são “maior”, e tendo mais idade vão trabaiá em otra cidade.
em construção, prantação…mas esse coitadinho, tão mirrado pobrezinho, num guenta nem com ancinho e nem com o enxadão.
 
Por lá era tão comum entregar filho pra igreja que o padre só concordou.
Segurando  a criança ,continuou a andar  nem dando conta sequer das lágrimas que corriam na face daquela mulher.
 
E aí começa a história, a história de João e do encontro com seu melhor amigo.
 
Entre tantos outros meninos na mesma condição, João era o mais franzino, mas nem por isso poupado nas tarefas daquela congregação.
Da faxina de esfregão,
As panelas do fogão, todos entendiam que alí o lema era : Respeito e Colaboração.
 
Alguns freis mais austeros, outros verdadeiros irmãos , mas na sua maioria eram homens muito bons.
E apesar da ausencia da verdadeira família, João era uma criança feliz.
Alí tinham água para a sede saciar, pão e roupas, e um colchão para poder descansar.
Tinha disciplina riigida e acesso a educação.
Hora para estudar,
Hora para trabalhar,
Hora para comer,
Hora para brincar,
E sagradas horas para rezar.
E numa dessas horas de preciosa meditação,
Que João encontrou um amigo que lhe ofereceu uma inesquecível lição.
Foi nesse dia que o menino entendeu o conceito do autoperdão.
 
De olhar fixo a cruz do altar, os pensamentos infantis divagavam entre o ser e o estar.
Estava alí mas não estava.
Era apenas um garoto mas tinha impressões que já experimentara outras experienciações.
Sua mente voava para outros lugares,
Lugares mis distantes,
Outras eras, outros instantes.
 
Uma mão plácida toca seu ombro e o rapaz percebe a companhia com assombro.
Um Homem de barba cerrada e madeixas longas.
De expressão tênue entretanto resoluta.
Joâo já o conhecia pelas imagens , e sabia que era Jesus com certeza absoluta.
 
O menino porém não trazia mais a aparencia da meninice, mas sim de um homem na média idade.
E a paisagem ao redor tampouco se parecia com a da sua cidade.
Tudo era diferente, o solo, a vegetação, as vestimentas…
Era possível entender que se estava sonhando fora transportado a uma época muito aquém.
Na face a rusticidade, no corpo o traje militar,
Escudo e espada em punho, a postura de um guerreiro pronto para se defender ou atacar.
 
O soldado ainda trazia nas mãos o sangue da última batalha, nos ombros o cansaço e na mente o peso da culpa acumulada por anos de profissão, ao servir os exércitos soberanos.
Não por vocação mas pela imposição hieráquica dos clãs romanos.
Já ouvira falar de um homem nazareno que vinha causando polêmicas e variadas impressões .
Desde a cólera dos que temiam perder poderes, aos mais humildes votos de admiração e gratidão.
 
Ele curava chagas, multiplicava pães,
Contava-lhes histórias , e com isso despertava profundas emoções.
Chamavam-no : O Cristo.
Seguiam-no e entregavam-lhe seus corações.
 
O bravio soldado sentiu as pernas bambearem e caiu em pranto aos seus pés
Jesus ofereceu-lhe a mão para que se soergue do chão.
As lágrimas corriam ácidas sobre aquele rosto amargurado,  que mais do que tudo implorava por  perdão.
 
Na mente as imagens de tantas vidas ceifadas no fio daquela espada.
Tantas mães a chorar na sangria dos filhos por ele derramadas.
Tantas feridas, tantas almas atormentadas…
 
Ao tocar aquelas mãos por um instante viu-se envolto por grande luz que o livrou por um instante das perturbações.
Colocando-o em pé, Jesus o convidou a caminhar de seu lado,
E João viu renovada sua esperança e fé.
Ao avistar a frente uma pequena nascente de água límpida , a boca seca e os lábior ardentes clamaram por aquele líquido sagrado e a disposição. E João até esquece do Novo Amigo e corre para lá, ajoelhando-se avança rapidamente com as mãos em concha, na ansia de aplacar aquela terrível sensação.
Umaa carência que o consumia  nas brasas febris da ensolação.
Mas conforme movimentava o liquido com velocidade, a água turvava-se e sumia no turbilhão.
Rareava, e tornava impossível de sorvê-la.
 
Misturada aos sólidos, tornava-se insalubre.
E a sequidão só fazia aumentar.
Jesus observava ao longe a frustração daquele pobre homem em não poder solucionar uma necessidade por uma mal elaborada ação.
Entre a angustia e a ira, em ensandecida lamentação.
O desconhecimento e a impaciência lançaram-no a dolorosa consequencia .
 
João percebeu-se flagrado por dois olhos claros, serenos , de um amor consagrado em um espírito de elevada condição.
Jesus sorri e senta com ele próximo, pede que aguarde com calma a retomada do curso d`água, que após um tempo recompôe-se, filtrando na areia suas impurezas e filtrando-se sózinha.
Logo a água podia novamente ser bebida, e dessa vez sem pressa, com todo cuidado no manejo, João mata a sede em um córrego limpinho.
 
Ao longo do tempo João compreendeu a lição do amigo-mestre, onde todos somos como aquele fluxo de água, criados puros, mas no anseio de aplacarmos as vontades e o que acreditamos por necessidades, nos agitamos impacientes, e sem analisarmos escolhemos partir  em ações apressadas, impensadas e inconsequentes. Agregando resíduos, contaminando o espírito, pesando ao longo da jornada.
Mas o amor do Criador nos dá o tempo necessário para que como aquele leito de água possamos nos recuperar, aprender a filtrar as impurezas e a esperar, agir com consciência e buscar conhecimento para não mais errar.
 
Também foi possível entender sua história atual conhecendo a de outrora, a história de um João agora nascido no sertão,
ainda sequioso, não só da água que provém o corpo material, mas da água provinda da fonte viva de amor espiritual.
Aquele que um dia lhe falou : ”  Quem crê em mim nunca terá sede …João 6:35.
 
João não tinha raiva da mãe que o abandonara pois sabia-se devedor por um dia ter afastado muitos filhos de suas mães tmbém, mas tinha por ela a gratidão por tê-lo dado a oportunidade de conhecer tantas outras pessoas boas em sua vida, sobretudo ter lhe proporcionado aquele encontro com Aquele que tornou-se seu Melhor Amigo, o Verdadeiro Amigo, com quem sabia poder contar em todas as suas horas .
 
(Paty Bolonha – 2013 – Respeitar a autoria e o conteúdo)
Joel em abril 5th, 2013 | Categoria: Textos | Sem Comentários -

Dona Filó Sophia: Ínicio, Meio de Fim – Cap.XX-Um Deus Chamado Amor

Textos
D. FILÓ SOPHIA : ÍNICIO, MEIO E  FIM
CAP.XX
UM DEUS CHAMADO AMOR
 
 
D. Filó adentrou na sala de professores e não pode ignorar uma acalorada discussão de seus colegas sobre o tema “As Religiões e Suas Fundamentações”. Cada qual buscando ser o potentor da Verdade, pelos seus dogmas e diferenciadas argumentações.
 
Era impossível não perceber que a maioria defendia a crença em um “Deus” cheio de orgulho e sanha, a punir com crueldade, cobrando altos percentuais por seus feitos milagrosos e façanhas. Uma figura personificada, fastuosa, sentada em Seu trono, rodeado de ouro e vitrais lá no Alto da Sua Morada.
Selecionando rigorosamente a quem premiar com  Felicidade.
 
A Professorinha pensou com seus botões :
 
- Lamentável só assim reconhecer o Criador, energia límpida que emana do todo, sem necessidade de vários nomes, nem pronomes de tratamento como Vossa Onipotência ou Senhor, mas que  chamassemos todos, única e simplesmente de AMOR.
Energia em sua plena organização, que forma e transforma, dinâmica e inteligente, de ação e reação. Cientificamente ponderada, mas que em forma romantizada como deseja a maioria,  podemos conceber como os melhores sentimentos que o espírito em evolução pode desenvolver, até alcançar em diversas experienciações  a  sua plenitude. Indegradáveis e eternos, que acionam faculdades extraordinárias, mas que nada possuem de espetaculoso ou sobrenaturalidades. O aprimoramento intelectual e moral do homem desperta a Divindade presente em forma de sentimentos conscientes, o chamado Bem – Benevolencia, Estudo e Moral na sua concepção mais genuína e essencial.
 
Ficaria contente se no futuro as pessoas  pudessem reconhecê-lo simplesmente assim, pelos melhores sentimentos que pudessem desenvolver em sí, o respeito pelas opiniões, aceitar as diferenças, exercitar a compaixão, praticar a caridade sem propósito de troca ou esperar gratidão, a esperança e a luta incansável pela paz entre os povos, o interesse na igualdade econômico- social, a temperança, a alegria nos sorrisos de todas as crianças. Esse sim talvez a mais perfeita forma material que o Divino poderia escolher para aparecer. 
 
Talvez por isso Jesus e outros grandes homens, espíritos superiores, que por aqui já passaram tentaram nos mostrar, pois substitua em qualquer referência a Deus que esses mestres nos ensinaram, pela palavra Amor e perceba se não seria mesmo assim :
 
- Não crês que estou no Pai e o Pai está em mim ? As palavras que vos digo nâo as digo de mim mesmo, mas o Pai que está em mim é quem faz as obras . (Jesus)
 
- O homem quando, pela sua perfeição, se houver aproximado de Deus, ele O verá e compreenderá.”
 
E tantos mais ensinamentos que indiferem de doutrina mas que nos direcionam igualmente a um mesmo caminho, verdade e vida, colocando-nos como de Deus, Amor legítimo e cabal, sua obra mais linda e amada, onde sem pedir favores, cobrar taxas ou louvores ou precisar de licença para entrar, faz a Sua morada. Que nos permite a aprendizagem pelas próprias escolhas e capacidades e que vai se fortalecendo a medida que O aplicamos com consciência e sinceridade.
De nada servem os símbolos os rituais ou as terminologias quando apenas O usamos por interesses egoístas, desfrutando da Boa Vontade em uma sensação remota e artificial para ” Nosso poder e alegria…”, apenas pensando no benefício individual. Se a Grandeza Misericordiosa do Pai Universal é adimensional, porque destinaria alguns a eternidade infernal e a outros a assunção celestial? 
 
E se os Filhos desejarem conhecer o Pai, pois  saibam que nem na figura de barro, escrito no papel ou mesmo no céu, não O encontrarão. O reconheçam tão somente no AMAR, Ação Moral, Amor Real. O único  milagre que conduzirá a humanidade a felicidade e a salvação.
 
(Paty Bolonha – 2012, respeite o conteúdo e a autoria)
Joel em novembro 28th, 2012 | Categoria: Textos | Sem Comentários -

Textos

D. Filó Sophia em  Inicio, Meio e Fim Cap. XVII As Diferenças são tão Iguais.    

Iniciava-se o semestre após as férias de inverno. O liceu voltava a iluminar-se com a presença animada das crianças no cotidiano hodierno. Cheios de disposição e cadernos, lá vinham os pequenos, saudando colegas e professores com afeto fraterno.   – Olá Menino ! – Gritaram Verônica e Luzia. – Quanta falta sentí de vocês meninas ! – Olhem, olhem , lá vêm chegando Evangelina ! – D. Filó, D. Filó …chegamos…- Anunciaram as quatro crianças em coro efusivo.   A Professora ergueu os olhos, estampando no rosto um sorriso largo para receber seus pupílos. Perceberam eles que ela não estava só dessa vez, com ela um garoto , sentado em um cadeira de rodas, a acompanhava, e puderam notar que tinha um semblante simpático e expressivo.   – Crianças, este é Cândido, um novo amigo para todos nós . Vocês irão perceber que nossos espaços foram adaptados para o recebermos bem, para que sinta-se confortável e protegido de perigos causados por empecilhos ou obstruções. Nossos irmãos que possuem limitações tem esse direito, aliás outros mais, como o direito de locomoção, permanência, e ativa participação na sociedade como qualquer outro cidadão, e ter assegurado os direitos de acessibilidade e assistência, de saúde, a trabalho compatível, a cultura e a educação. Cândido, assim como tantos outros irmãozinhos que por alguma razão apresentam insuficiências físicas ou mentais, podem possuir algumas pequenas diferenças, mas não resta dúvida que aos olhos de Deus os seus Filhos amados são todos iguais. Nossa ignorância muitas vezes não percebe a riqueza da inclusão, o bem conviver com as diferenças é um tesouro de incalculável valor, onde se ensina e se aprende pelo verdadeiro amor.   Logo o grupo já estava completamente entrosado, gentil e naturalmente todos propunham-se a ajudar. O que Cândido tinha por restrição na dificuldade de movimentação, sobrava em inteligência, franco humor e comunicação. Compartilhando com os amigos seus conhecimentos, era feliz e admirável por sua capacidade de superação. Uma prova de que o que nos faz diferentes ou iguais, é aquilo que chamamos de sintonias espirituais.     (Paty Bolonha – Respeite a autoria e o conteúdo)

Joel em junho 22nd, 2012 | Categoria: Textos | Sem Comentários -

Evangelização infanto-juvenil

Textos

Evangelização infanto-juvenil

Autor: Heloísa Pires

Lendo os jornais, observando os problemas do planeta Terra no momento  atual começamos a entender a importância da evangelização. Nos países de primeiro mundo a violência infantil é terrível; nos Estados Unidos, crianças matam amiguinhos e adultos com a mesma facilidade com que trocam de roupa. A incompreensão da finalidade da existência, a violência estimulada nos filmes e jogos de computador, a falta do diálogo com os pais, são alguns fatores geradores do desequilíbrio dos reencarnantes que, como explica o Livro dos Espíritos, vieram à Terra preparados para a vitória.

Como vamos preparar crianças e jovens para enfrentarem o momento difícil de transição que a Terra atravessa, sem conscientizá-los da necessidade de fazermos ao próximo o que desejamos que o próximo faça?

A conscientização é possível através do estudo das palavras e exemplificação do nosso irmão mais velho Jesus de Nazaré.

O Livro dos Espíritos explica que Jesus é o modelo de homem ideal. O pensamento de Jesus, a sua paranormalidade excepcional, fruto da evolução espiritual, a sua capacidade de cura, atraem crianças e jovens que meditam então sobre o caminho da ética que conduz o homem ao desenvolvimento da serenidade e da capacidade de amar.

No momento atual encontramos no capítulo de A Gênese: Jesus, milagres e profecias, e nos estudos do Evangelho Segundo o Espiritismo, uma fonte preciosa para o desenvolvimento da auto-imagem positiva indispensável ao crescimento espiritual do homem, para o seu equilíbrio emocional.

O Evangelizador precisa conhecer a Doutrina Espírita.

Amar as crianças, porque educar é um ato de amor.

Compreender as necessidades das crianças.

a) Ser amada; aceita com as suas facilidades e dificuldades.

Basta nos lembrarmos da aceitação do Plano Espiritual Superior, em relação às nossas necessidades.

b) Formar auto-imagem positiva. Depende da nossa aceitação da criança e da compreensão dos princípios básicos do Espiritismo, entre os quais a Reencarnação. Jesus nos auxilia: sois deuses e luzes.

c) Propiciar os estímulos necessários que desenvolvem a criatividade e a capacidade de análise e crítica construtiva. Não vale formar papagaios repetidores. As tarefas apresentadas na Casa Espírita devem permitir a construção do pensamento da criança em um sentido positivo, na construção da couraça da fé e da caridade do apóstolo Paulo.

d) Desenvolver o bom humor, o otimismo, a alegria saudável e responsável. O equilíbrio emocional, que como lembra Daniel Goleman, é tão ou mais importante do que o intelectual.

e) Entender o Evangelho como possibilidade de integrar a criança, o jovem e o maduro, como peça útil numa sociedade necessitada.

Formar, como lembra José Herculano Pires, elementos indutores ao progresso.

f) Desenvolver a compreensão das palavras de Paulo sobre a Caridade, única forma de transformarmos a nossa sociedade para melhor.

Conclusão: A Evangelização na Casa Espírita vai desenvolver, como queria Kant, as perfectibilidades do indivíduo: as potencialidades, como explica o Espiritismo. Vai fazer surgir o “Homem de bem” do Evangelho Segundo o Espiritismo”…

Joel em junho 20th, 2012 | Categoria: Textos | Sem Comentários -

Dona Filó Sophia: Começo, Meio e Fim. Cap XVI

Textos

D. Filó Sophia : Começo, Meio e Fim.   Cap XVI   O que é o “Mal ?”

As crianças chegavam ao Liceu bastante assustadas por conta da movimentação causada por uma operação policial na tentativa de coibir as ações de fora-da-leis que há dias vinham apavorando nas proximidades do local.   Enquanto as sirenes soavam alertando a população para o patrulhamento que beirava ao comportamento barbarisco, D. Filó aguardava as crianças no portão resguardando-os de qualquer risco.   Era o assunto que pululava em todas as conversações adultas e infantis daquele dia, calhando com o tema para mais uma aula de Etica e Cidadania.   O estudo das causas que levam o ser a exercer o “mal”, sua origem, meio e final, cientificamente chamado de Criminologia.   Comportamento hostil de um individuo que afeta gravemente a sociedade e o meio de uma maneira geral, mesmo que não atinja a todos de maneira direta ou parecer trazer apenas uma consequencia individual. Não o é, as ações criminosas sempre alcançarão a sociedade como um todo, pois exigem  o compromisso legal do cidadão com o cumprimento do  direito penal.   Naquelas cabecinhas uma avalanche de perguntas surgia, para o contentamento de uma mestra ciente de sua missão de guia.    – Professora, quem opta por este tipo de vida é apenas uma vítima do próprio destino, um espírito ignorante destituido de completa razão ou um ser  de mente doentia ? - Questionou  o Menino.   Sendo que a mestra respondeu-lhe com outra indagação.   – Por acaso vocês pensam que todo “Mal” provém de uma única condição ?   Uns responderam que sim, outros que não, e em cada resposta ao debate de idéias vinham mais e mais interrogações.   – Se sim, que condição seria esta ? Se não, qual ponto comum é o alelo desta opção ? Vou explicar-lhes alguns : O chamado “mal grave” ou crime, é sempre contumaz, geralmente violento e imprudente. Resulta de sentimentos contrariados ou contrariantes. Quem o pratica, muito raramente reconhece seus atos com lucidez, na maioria das vezes sente-se tão vítima quanto aquele ou aquilo a que fez, tomado de motivações geradas por um alto nível de insensatez. O individamento é gradual  e caso não interrompa o ciclo de erros através do sincero perdão e do arrependimento, muito haverá de descontar em igual teor pela sua obstinação e incorreção moral.    – Há quem o pratique por necessidade ? – questionou a menina Evangelina.   – Não, jamais há necessidades que justifiquem o mal feito, somente a total ignorância dos seus efeitos. Apenas o desconhecimento total que um delito dessa éspecie pode produzir seria a única justificativa que poderíamos consentir . Nem mesmo a fome ou qualquer das indigências humanas pode ser dada por justa para fundamentar as atitudes cruéis e insanas.   – Nem mesmo para aquele que padece de um distúrbio mental ? Ou aquele que ainda é tão primitivo quanto um  animal  ?   – O chamado doente mental assemelha-se a um encarceirado que responde por penalidades espirituais de causas pretéritas, trazendo em sí os reflexos e marcas deméritas de sentimentos acumulados  como a culpa e a contrição, com as quais não consegue estabelecer razões para se autolibertar. Instalando na mente um processo de obssessão, desde as mais simples como uma influenciação banal e insolente, passando pelo fascínio das paixões ardentes até a subjugação total do subconsciente. No entanto não é isento mesmo assim de responder pelas suas ações utilizando como “álibi” essas condições, pois é um ser criado como os demais, encontrando-se temporariamente réu  dos seus anais, respondendo pela lei universal da força das reações onde cada ato cometido está sujeito a uma força de igual valor. Quanto ao ser primitivo, mesmo o mais isolado das civilizações, ainda que possua um exíguo principio de razão já iniciou seu processo de livre árbitrio ainda que instintivo, e disso dependerá sua evolução.   – E  aquele que se exime da culpabilidade ? Terão os criminosos um destino eternamente infernal ? – Perguntou Verônica.   – Certamente o mais censurável de todos os erros é a omissão da culpa. Aquele que se acha injustiçado mesmo tendo consciência dos danos que cometeu, apenas agindo por seus próprios interesses,  violando sem remorso as leis dos homens ou as leis de Deus, essa é a mais infâme das ações criminosas. Para esses a lei divina é implacável e rigorosa, mas jamais injusta pois é sempre misericordiosa. Todos responderemos pelo grau de nossa violação, porque Deus não castiga, não pune, apenas submete seus filhos a um processo espiritual de educação e regeneração. Portanto a sabedoria do Criador jamais destinaria seus próprios filhos a um destino infernal de eterno e extremo sofrimento e dor.    – E aquele que recebe no seio familiar uma alma dificil e errante como deverá agir ? - Falou Evangelina   – Querida menina, compaixão e entendimento sobre a continuidade da evolução espiritual é o que nos dá bom material para sabermos que dessas almas-problemas jamais podemos desistir .   – Mesmo que aja sempre de modo muito prejudicial ?   – Compaixão não significa que tenhamos que nos submeter ou concordar com sua maneira de agir ou de pensar, mas temos que compreender que esta criatura é um ser que precisa de muito mais  “amor incondicional” para que um dia possa seus erros reconhecer. Perdoar é o maior ato de amor que alguém pode lhe dedicar. Quando agir de maneira muito prejudicial colocando em risco a paz e a integridade física e emocional do seu próximo é de livre árbitrio afastar-se para defender-se porém ainda assim jamais devemos desejar-lhes o mal. Pois se assim o fizermos desejando que sofra amargamente estamos moralmente  nos nivelando a eles, de igual para igual.   – E quem no mal se compraz ?   – E mesmo uma grande pena que espíritos de consciência iludida vejam no mal uma oportunidade que os satisfaz, atribuindo-lhe um falso poder e uma pseudoliberdade tal como sentiu o marginal  Jesus Barrabás na ocasião em que recebeu o indulto da população na semana judaíca-pascoal. Sentindo-se tão pleno de importância e tão melhor do que Aquele outro Homem de Nazaré cujas infrações poucos saberiam acusar ou reconhecer ! O momento de sua libertação naquela ocasião fora-lhe de júbilo e gratidão, porém os fantasmas das culpas e dos inimigos a quem prejudicou pelos seus maus atos, perseguiram-lhe por muitas e muitas eras fazendo-lhes terríveis acusações, condenando-o as mais severas dores e punições. Portanto precisamos refletir em quanto melhor seria seu destino se tivesse naquele momento em que recebeu a indulgência tivesse aproveitado para cair em sí ? Viveu uma vida de liberdade corporal mas seu espírito permaneceu aprisionado em densas trevas, cuja cruz certamente fora muito mais pesada e cruel do que a do outro Jesus que acusado injustamente viveu poucas horas de martírio e a eternidade do céu . Os homens se apegam aos desígnios de sua própria justiça, mas acreditem que por ela muito mais mal ainda se faz, por ela multiplicam-se sofrimentos e dívidas, deixando cada vez mais longíquo um ideal de amor e paz. As leis humanas são sim necessárias mas a confiança nas leis e no amor infinito de Deus pelos seus filhos são muito mais.   As crianças silenciaram diante daquela expressão firme resumindo o sentimento de verdadeira justiça e a esperança de que todo mal terá um fim .   FIM   (Paty Bolonha – Respeite o conteúdo e a autoria – 2012)

Joel em maio 30th, 2012 | Categoria: Textos | Sem Comentários -

Fraquezas humanas

Textos

Fraquezas humanas

…Espíritos malfeitores se ligam aos

grupos, do mesmo modo que aos

indivíduos. Ligam-se, primeiramente,

aos mais fracos, aos mais acessíveis,

procurando fazê-los seus instrumentos

e gradativamente vão envolvendo os

conjuntos…

Allan Kardec – O Livro dos Médiuns – Cap.29, item 340

A busca pelo melhoramento humano, função prioritária da instituição espírita, sofre – muitas vezes – os reveses naturais de forces opostas que tentam obstaculizar o Caminho do bem. Tais forças emanadas de criaturas que ainda vivem distanciadas dos valores nobres da vida, conspiram contra os resultados obtidos nos núcleos estimuladores do esclarecimento e do amor.

A literatura espírita é rica de exemplos de entidades que buscam filtrar, nas Casas Espíritas, idéias perturbadoras com o objetivo gerar desestrutura interna. O grande problema para essas criaturas infelizes é, justamente, como se infiltrar nas instituição, uma vez que as ações que exercem estão dentro de certos limites.

Sociedades Espíritas onde se cultivam a comunhão de idéias, a unidade de princípios, e de sentimentos nobres, dispõem de psicosfera altamente positive sob a assistência de espíritos com elevados qualificativos. Isso, naturalmente, dificulta em muito a ação de criaturas perturbadoras. Quando surgem algumas “rachaduras” nessas estruturas espirituais da Sociedade, os espíritos malfeitores conseguem, como aludiu Kardec, vincularem-se a certos indivíduos mais vulneráveis, estimulando – silenciosamente – o ciúme, as intrigas, as disputas internas, os melindres e ressentimentos.

Dessa forma, sob o império da invigilância pessoal, alguns trabalhadores Espíritas abrem brechas para perniciosas influenciações nos grupos. Apesar disso, ficar meramente procurando os “culpados” não trará  melhores resultados. Cumpre isto sim, refletirmos sobre o compartilhar das responsabilidades, das ações profiláticas e das terapêuticas que poderão ser aplicadas nesses casos.

Allan Kardec, em Obras Póstumas, quando trata “Dos cismas” , advertiu: “Se, porém, o Espiritismo não pode escapar às fraquezas humanas, com as quais tem de se contar sempre, pode todavia neutralizar-lhes as consequências  e isto é o essencial.” Inúmeras ocorrências solicitam, dos dirigentes, decisões amadurecidas na reflexão e na oração. O que fazer ou como proceder diante desses problemas? Cada caso é uma situação singular, com características  próprias.

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo X, item 21, Allan Kardec indagou o espírito São Luis sobre a conveniência em se desnudar o mal de outrem e obteve a seguinte resposta:

É muito delicada esta questão e, para resolvê-la, necessário se torna apelar para a Caridade bem compreendida. Se as imperfeições de uma pessoa só a ela prejudicam, nenhuma utilidade

haverá nunca em divulgá-la. Se, porém, podem acarretar prejuízo a terceiros, deve-se atender de preferência ao interesse do maior número. Segundo as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia

e a mentira pode constituir um dever, pois mais vale caia um homem, do que virem muitos a ser suas vitimas. Em tal caso, deve-se pesar a soma das vantagens e dos inconvenientes.   

               Parece-nos evidente que estamos tratando de algo muito complexo. Todavia, a resposta de São Luis nos fornece algumas pistas importantes. Primeiramente é necessário olhar para o problema utilizando-nos de uma “vidraça” o mais límpida possível: a caridade, conforme preconiza a questão 886 de O Livro dos Espíritos. Vale apena recordarmos a pergunta de Kardec e a resposta dada pelos espíritos.

Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?

“Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições

dos outros, perdão das ofensas.”

                Esse é o primeiro norteador de toda ação espírita.

                Surgem, no entanto, duas perguntas: Como as fraquezas de algumas pessoas podem envolver e fragilizar o grupo? Se, apesar dessas contingências, o grupo estivesse suficientemente numa comunhão de idéias e sentimentos, haveria espaços para a disseminação de influencias perturbadora? Se a resposta para essa última indagação for negativa, significa que o problema não deve ser pessoalizado, mas tratado em nível de grupo.

                Nesse caso, reuniões gerais de trabalhadores, palestras e seminários sobre o assunto com o fim de alertamento e esclarecimento, podem surtir efeitos positivos. Quando, no entanto, o problema fica mais localizado, envolvendo um determinado setor da instituição ou algumas pessoas, acreditamos que seja um dever dos dirigentes atuar, também, sobre esses indivíduos, buscando auxiliá-los direta e indiretamente, com o verbo doce ou enérgico e com os recursos de assistência que a Casa disponibiliza.

                Mas Kardec bem alertou que o Espiritismo não poderia escapar das fraquezas humanas. É imperativo não se ignorar os desafios que surgem, sob o pretexto de que tudo está bem. Muitas vezes, quando ignoradas, essas pequenas fissuras, irrompem mais tarde em terríveis rachaduras de complexa solução.

                Allan Kardec, nos discursos que fez na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas,  não cansava de observar a necessidade de moderação, bom senso e equilíbrio, ferramentas indispensáveis para harmonia pessoal e institucional. O contrário disso: irritações, ciúme, fofoca, indignação, melindres, disputa de cargos, entre outros, fragilizam as estruturas de defesa da Casa Espírita.

                Semelhante fato acontece com o corpo quando o sistema imunológico enfraquece, facilitando a instalação e ação de agentes nocivos à saúde. O fortalecimento do grupo em torno da oração e do esforço para a vivência da ética cristã, apontam novos horizontes para a convivência salutar e produtiva no ambiente de nossas instituições. O descompromisso com esse propósito abrirá possibilidades para conflitos insidiosos.

                No Capítulo 29, item 340 e 341, de O Livro dos Médiuns, Kardec analisa o problema da influência espiritual negativa nos grupos, prescrevendo um roteiro de valores para afastar essas influências:

  • Perfeita comunhão de vistas e de sentimentos;
  • Cordialidade recíproca entre todos os membros;
  • Ausência de todo sentimento contrário à verdadeira caridade cristã;
  • Um único desejo: o de se instruírem e melhorarem, por meio dos ensinos dos espíritos e do aproveitamento de seus conselhos.

 

                Kardec compreendia que os nossos maus pendores são para nós, piores que os maus espíritos, porquanto são esses pendores que os atraem. Por isso mesmo, conviver é uma Lei Moral, pois são dessas interações psicossociais que o espírito cresce na direção de si mesmo.

Texto extraído do livro “A Convivência na Casa Espírita” de Jerri Roberto Almeida, editado p/FERGS

 

Joel em outubro 17th, 2011 | Categoria: Textos | Sem Comentários -

Mensagem da Criança – Emmanuel

Textos

Mensagem de Emmanuel: 132 – MENSAGEM DA CRIANÇA

Dizes que sou o futuro.
Não me desampares no presente.
Dizes que sou a esperança da paz.
Não me induzas à guerra.
Dizes que sou a promessa do bem.
Não me confies ao mal.
Dizes que sou a luz dos teus olhos.
Não me abandones às trevas.
Não espero somente o teu pão.
Dá-me luz e entendimento.
Não desejo tão só a festa de teu carinho.
Suplico-te amor com que me eduques.
Não te rogo apenas brinquedos.
Peço-te bons exemplos e boas palavras.
Não sou simples ornamento de teu caminho.
Sou alguém que te bate à porta em nome de Deus.
Ensina-me o trabalho e a humildade, o devotamento e o perdão.
Compadece-te de mim e orienta-me para o que seja bom e justo…
Corrige-me enquanto é tempo, ainda que eu sofra…
Ajuda-me hoje para que amanhã eu não te faça chorar.

Espírito: MEIMEI
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: Antologia da Criança – Edição FEB

Joel em setembro 25th, 2011 | Categoria: Textos | Sem Comentários -

Mudar para melhor

Textos

Mudar para Melhor
         Pedrinho era um menino preguiçoso. Tinha preguiça de estudar, de ler, de desenhar e até de brincar.
         A mãe de Pedrinho, dona Lili, é doceira, faz doces para vender. Pedrinho costumava ir junto com ela entregar os pedidos, ajudando a carregar os confeitos, mas reclamava sempre.
         Um dia, dona Lili foi entregar uma torta em uma Escola e Pedrinho foi junto.
         Logo que chegaram Pedrinho ficou esperando em uma enorme sala onde estavam muitos alunos.
         Ele observou um pouco e viu que eram crianças especiais: algumas não falavam, outras não enxergavam ou não ouviam; mas todas se comunicavam por sons, gestos ou mímicas. Elas estavam aprendendo animadamente uma música.
         Em um canto dois alegres garotos desenhavam com pincéis. Pedrinho reparou que eles tinham apenas uma das pernas. Ficou impressionado com a alegria e a vontade de aprender deles.
         Ele não viu ninguém triste, reclamando ou com preguiça. Sentiu que havia muito amor e respeito naquele local, pois as crianças ajudavam umas as outras.
         Lembrou-se de seu corpo perfeito, de sua família legal e dos muitos amigos que tinha. Concluiu que devia aproveitar a vida para aprender e ajudar os outros, como aquelas crianças estavam fazendo.
         Pouco tempo depois, dona Lili retornou e eles foram embora.
         A experiência daquela tarde Pedrinho nunca mais esqueceu. Deixou de lado a preguiça e o mau-humor e se tornou um garoto alegre e estudioso. E dona Lili ficou contente porque Pedrinho mudou para melhor, muito melhor.
(BIS nº 19 – Junho de 2000 )
(http://paginas.terra.com.br/religiao/searainfantil/estoria.htm#mudar)
Um dia todinho bombom pra você: cobertinho de luz e recheadinho de amor.
abraços com carinho
Equipe CVDEE CVDEE – Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo
www.cvdee.org.br  
setor: vamos papear via e-mail

SITE DA GENTE- Espiritismo para crianças :

Estudo via e-mail:
inscrições:

Bate-papo on line
Para Crianças de 07 à 12 anos:

Sala “Espiritismo Net Kids” no PalTalk
 categoria Central & South America – Brazil
Horário de funcionamento:
DOMINGOS: de 17:30 às 18:30

Para Adolescentes de  13 à 15 anos: 

DOMINGOS: de 18:30 às 19:30

Esperamos voce, tá legal?!!:)

Joel em agosto 25th, 2011 | Categoria: Textos | Sem Comentários -