D. Filó Sophia - Começo, Meio e Fim -
Cap VIII
Amor a Pátria

As 13:15 Hs pontualmente , D. Filó soa o sinal para que as crianças perfilem-se em frente ao pátio das bandeiras.
O símbolo nacional, tremulando com o vento , é testemunha de mais uma geração em busca de educação e conhecimentos.
As mãozinhas rentes ao corpo, a cabeça em altivez demonstrando orgulho e veneração, entoam o hino da nação com exemplar patriotismo, exaltando o berço terreno que os acolheu com augusto altruísmo.
As crianças permaneceram em silencio até o último acorde da melodia .
D. Filó anunciou que as meninas Evangelina e Luzia, subiriam ao palco e recitariam uma poesia para encerrarem a comemoração.
Evangelina :
- Quem é esta mãe que acolhe todos os filhos com essência virtuosa ?
Dá seus frutos e suas flores, aos que chegam , aos que se vão,
Tens o nome de Pátria, e a tí queremos demonstrar toda nossa gratidão.
Luzia entrou segurando um mapa.
- Filho que nasceu no ventre desse país , nada te peço em troca do que te dou de boa vontade, desejando apenas que aqui sejas muito feliz.
Dou-te com prazer minhas terras, as águas dos meus mares e rios, minhas florestas, meu ouro, e um lindo céu de anil.
Que o sol que aqui brilha te aqueça o coração.
Para que cultives a paz e reconheça os direitos dos teus irmãos.
Sejas justo e leal, um homem de bem e de moral, para que sejas respeitado e admirado em qualquer lugar , mesmo se um dia estiveres longe da tua terra natal.

Evangelina responde :
- Colo dourado que abraça e no seio alimenta filhos de todas as raças,
Reine em tí , a fraternidade, a liberdade e a verdade, com imenso amor servil .
Pátria que tanto amamos,
Pátria nossa, mãe gentil . ”
As crianças aplaudiram as colegas , tomados ainda por um sentimento de admiração .
Após o ato solene , seguiram todos á classe , onde iniciariam com a aula de :
“ Sociedade e Cidadania” .
Uma lição para debaterem os direitos e deveres como cidadãos.
- Digam-me crianças, qual o primeiro e maior direito de todos nós ? - Interrogou-lhes a mestra.
- A vidaaaaa …- responderam em coro e alegria pela lição sabida.
- A vida é o maior de nossos direitos, mas também é um grande dever . Deus nos concedeu como um valioso bem na condição de que dela devemos cuidar e proteger. Assim podemos exemplificar como direitos e deveres estão sempre atrelados uns aos outros. Imagino uma locomotiva engatada a vários vagões. Para cada direito sempre há um dever ou vários deles, e para cada um deles outras concessões, e assim para nosso bem e dos demais precisamos conhecer e respeitar estas condições.
- Já sei , é novamente a questão das causas e seus efeitos - gritou o menino esperto.
- Sim, justo e certo, esta é a lei que rege sobre quaisquer circunstancias o nosso “evoluir “.
A locomotiva que puxa esses vagões, já a conhecemos, chama-se Consciência Moral, percorrendo os trilhos da existência, do ínicio até o destino final.
E nesses vagões dois tipos de direitos e obrigações, os públicos também chamados de civis ou sociais, e os particulares ou individuais.
Os primeiros, e dos que vamos tratar agora, foram criados para disciplinar as relações coletivas , entre os homens e o meio.
- Desde os seus primórdios, quando apresentou sinais de razão, a espécie humana sentiu necessidade de organizar a vida em sociedade, garantindo direitos e estabelecendo regras e responsabilidades, iniciava-se assim o processo de civilização.
Estabelecendo fronteiras para delimitarem espaços, associando-se em grupos ou comunidades baseados em interesses mútuos e afinidades, sobrepoem-se os fortes aos fracos para conquista de liderança e poder de dominação, e quanto mais se subdividem os propósitos, crescem também os motivos para desavenças e desuniões, mais ignorantes e rudes , maiores as necessidades de leis que atemorizam e punem. A tirania, as leis mosaicas, lei de Talião, os períodos de escravidão, basta estudarmos um pouquinho da história para chegarmos a estas conclusões.
- E qual é o modelo de uma sociedade ideal ?
O homem social ainda está muito distante de concretizar o sonho de uma sociedade justa e moral , aquela em que o grupo deveria ser um só, as fronteiras deixassem de existir, a cidadania fosse exercida livremente para que todos vivessem em harmonia e direcionados para um objetivo comum e igual .
- E quando isso acontecerá ? - perguntou a menina Verônica
- Isso somente acontecerá quando o homem, atingir sua educação integral . Evoluindo pouco a pouco, em sabedoria intelectual e moral , chegará o dia em que cairão por terra aqueles “valores” irrelevantes do ter em detrimento do ser, as crenças cegas e os interesses individuais , dando lugar a legítima democracia, regidos não pelas imposições mas sim pelo reconhecimento consciente dos direitos de igualdade, liberdade, justiça e fraternidade em prol do bem e da paz da família universal. - Explicou a mestra.
- É preciso que nos esforcemos para alcançarmos mais rapidamente esta condição, respeitando os direitos do próximo, preservando o meio ambiente, promovendo o espírito de solidariedade e união. Cumprindo bem com estes deveres é que conquistaremos o direito de realmente conhecermos a verdadeira Pátria, a Pátria Espiritual.
Continua …
(Paty Bolonha - 2010 )
Joel em julho 28th, 2010 | Categoria: Textos | Sem Comentários -