Fraquezas humanas
TextosFraquezas humanas
…Espíritos malfeitores se ligam aos
grupos, do mesmo modo que aos
indivíduos. Ligam-se, primeiramente,
aos mais fracos, aos mais acessíveis,
procurando fazê-los seus instrumentos
e gradativamente vão envolvendo os
conjuntos…
Allan Kardec – O Livro dos Médiuns – Cap.29, item 340
A busca pelo melhoramento humano, função prioritária da instituição espírita, sofre – muitas vezes – os reveses naturais de forces opostas que tentam obstaculizar o Caminho do bem. Tais forças emanadas de criaturas que ainda vivem distanciadas dos valores nobres da vida, conspiram contra os resultados obtidos nos núcleos estimuladores do esclarecimento e do amor.
A literatura espírita é rica de exemplos de entidades que buscam filtrar, nas Casas Espíritas, idéias perturbadoras com o objetivo gerar desestrutura interna. O grande problema para essas criaturas infelizes é, justamente, como se infiltrar nas instituição, uma vez que as ações que exercem estão dentro de certos limites.
Sociedades Espíritas onde se cultivam a comunhão de idéias, a unidade de princípios, e de sentimentos nobres, dispõem de psicosfera altamente positive sob a assistência de espíritos com elevados qualificativos. Isso, naturalmente, dificulta em muito a ação de criaturas perturbadoras. Quando surgem algumas “rachaduras” nessas estruturas espirituais da Sociedade, os espíritos malfeitores conseguem, como aludiu Kardec, vincularem-se a certos indivíduos mais vulneráveis, estimulando – silenciosamente – o ciúme, as intrigas, as disputas internas, os melindres e ressentimentos.
Dessa forma, sob o império da invigilância pessoal, alguns trabalhadores Espíritas abrem brechas para perniciosas influenciações nos grupos. Apesar disso, ficar meramente procurando os “culpados” não trará melhores resultados. Cumpre isto sim, refletirmos sobre o compartilhar das responsabilidades, das ações profiláticas e das terapêuticas que poderão ser aplicadas nesses casos.
Allan Kardec, em Obras Póstumas, quando trata “Dos cismas” , advertiu: “Se, porém, o Espiritismo não pode escapar às fraquezas humanas, com as quais tem de se contar sempre, pode todavia neutralizar-lhes as consequências e isto é o essencial.” Inúmeras ocorrências solicitam, dos dirigentes, decisões amadurecidas na reflexão e na oração. O que fazer ou como proceder diante desses problemas? Cada caso é uma situação singular, com características próprias.
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo X, item 21, Allan Kardec indagou o espírito São Luis sobre a conveniência em se desnudar o mal de outrem e obteve a seguinte resposta:
É muito delicada esta questão e, para resolvê-la, necessário se torna apelar para a Caridade bem compreendida. Se as imperfeições de uma pessoa só a ela prejudicam, nenhuma utilidade
haverá nunca em divulgá-la. Se, porém, podem acarretar prejuízo a terceiros, deve-se atender de preferência ao interesse do maior número. Segundo as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia
e a mentira pode constituir um dever, pois mais vale caia um homem, do que virem muitos a ser suas vitimas. Em tal caso, deve-se pesar a soma das vantagens e dos inconvenientes.
Parece-nos evidente que estamos tratando de algo muito complexo. Todavia, a resposta de São Luis nos fornece algumas pistas importantes. Primeiramente é necessário olhar para o problema utilizando-nos de uma “vidraça” o mais límpida possível: a caridade, conforme preconiza a questão 886 de O Livro dos Espíritos. Vale apena recordarmos a pergunta de Kardec e a resposta dada pelos espíritos.
Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?
“Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições
dos outros, perdão das ofensas.”
Esse é o primeiro norteador de toda ação espírita.
Surgem, no entanto, duas perguntas: Como as fraquezas de algumas pessoas podem envolver e fragilizar o grupo? Se, apesar dessas contingências, o grupo estivesse suficientemente numa comunhão de idéias e sentimentos, haveria espaços para a disseminação de influencias perturbadora? Se a resposta para essa última indagação for negativa, significa que o problema não deve ser pessoalizado, mas tratado em nível de grupo.
Nesse caso, reuniões gerais de trabalhadores, palestras e seminários sobre o assunto com o fim de alertamento e esclarecimento, podem surtir efeitos positivos. Quando, no entanto, o problema fica mais localizado, envolvendo um determinado setor da instituição ou algumas pessoas, acreditamos que seja um dever dos dirigentes atuar, também, sobre esses indivíduos, buscando auxiliá-los direta e indiretamente, com o verbo doce ou enérgico e com os recursos de assistência que a Casa disponibiliza.
Mas Kardec bem alertou que o Espiritismo não poderia escapar das fraquezas humanas. É imperativo não se ignorar os desafios que surgem, sob o pretexto de que tudo está bem. Muitas vezes, quando ignoradas, essas pequenas fissuras, irrompem mais tarde em terríveis rachaduras de complexa solução.
Allan Kardec, nos discursos que fez na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, não cansava de observar a necessidade de moderação, bom senso e equilíbrio, ferramentas indispensáveis para harmonia pessoal e institucional. O contrário disso: irritações, ciúme, fofoca, indignação, melindres, disputa de cargos, entre outros, fragilizam as estruturas de defesa da Casa Espírita.
Semelhante fato acontece com o corpo quando o sistema imunológico enfraquece, facilitando a instalação e ação de agentes nocivos à saúde. O fortalecimento do grupo em torno da oração e do esforço para a vivência da ética cristã, apontam novos horizontes para a convivência salutar e produtiva no ambiente de nossas instituições. O descompromisso com esse propósito abrirá possibilidades para conflitos insidiosos.
No Capítulo 29, item 340 e 341, de O Livro dos Médiuns, Kardec analisa o problema da influência espiritual negativa nos grupos, prescrevendo um roteiro de valores para afastar essas influências:
- Perfeita comunhão de vistas e de sentimentos;
- Cordialidade recíproca entre todos os membros;
- Ausência de todo sentimento contrário à verdadeira caridade cristã;
- Um único desejo: o de se instruírem e melhorarem, por meio dos ensinos dos espíritos e do aproveitamento de seus conselhos.
Kardec compreendia que os nossos maus pendores são para nós, piores que os maus espíritos, porquanto são esses pendores que os atraem. Por isso mesmo, conviver é uma Lei Moral, pois são dessas interações psicossociais que o espírito cresce na direção de si mesmo.
Texto extraído do livro “A Convivência na Casa Espírita” de Jerri Roberto Almeida, editado p/FERGS
Joel em outubro 17th, 2011 | Categoria: Textos | Sem Comentários -



